Este trabalho foi elaborado a convite da DeVIR/CaPA, Faro – no âmbito do festival “Encontros do Devir”, realizado em 2012 – em torno da desertificação/desumanização da Serra do Caldeirão, no Algarve. Cruzando as suas próprias recolhas vídeo com as recolhas em filme de Michel Giacometti, sobretudo aquelas feitas em torno das canções de trabalho, Vera Mantero lança um forte olhar sobre práticas de vida tradicionais e rurais em geral, conhecimentos das culturas orais de norte a sul do país e de outros continentes.
Toda a peça é povoada de vozes que vêm de longe. Silêncio. A serra. Vera canta para os poucos serrenhos que permanecem. Mas não é só de música que se trata, é também da palavra e da terra; a palavra de Artaud em combustão, a palavra de Prévert martelado em jeito de poesia sonora, a palavra estranhamente familiar de Eduardo Viveiros de Castro.
Com este “retrato alargado” dos Serrenhos do Caldeirão, Vera Mantero fala-nos de povos que possuem uma sabedoria que perdemos, uma sabedoria na ligação entre corpo e espírito, entre quotidiano e arte. Mas uma sabedoria que podemos (e devemos, para nosso bem) reactivar.
Data
26, Maio 2016
Horário
21H30
Duração
1h10
Faixa etária
m/12
Preço
€7
€5 [< 25, Estudante, > 65, Grupo ≥ 10, Desempregado, Parcerias]
Local Auditório