nesta terceira edição, o festival Afro-Portugal 2026 abre espaço para todas as interrogações, indagações, questionamentos, perplexidades, críticas, instabilidades, flutuações, derrocadas, desordens, caos e até mesmo entropias… em torno do prefixo Afro
Só muito recentemente, o debate sobre o colonialismo europeu – e sobre o colonialismo português em particular – começou a ter em conta a questão da reparação e da restituição. Este debate depende do reconhecimento necessário, por parte da Europa e do Portugal, de que o seu desenvolvimento e bem-estar assentaram na expropriação e exploração violentas de territórios não-europeus, das suas gentes e das suas culturas. Enquanto a questão da restituição diz respeito, sobretudo, à devolução de objetos pilhados pelas potências coloniais, a questão da reparação – mais ampla e complexa – tem a ver com os custos humanos do Império e o que decorre de processos como a escravatura, o trabalho forçado e o envolvimento de pessoas africanas na guerra colonial, nomeadamente do lado português. Este debate pretende focar-se na dimensão humana da ferida colonial e o que pode ser feito, hoje, no sentido da sua reparação.
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Nesta terceira edição, o festival Afro-Portugal 2026 abre espaço para todas as interrogações, indagações, questionamentos, perplexidades, críticas, instabilidades, flutuações, derrocadas, desordens, caos e até mesmo entropias… em torno do prefixo Afro.
Num caminho que passou por fazer as contas do passado colonial (2022) e refletir sobre os mundos em movimento (2024), pretendemos, agora, interrogar os hífens, como expressão insuficiente da complexidade que reside nos dois lados de tantos elementos hifenados. É importante solidificar os modos de afirmação das pessoas negras como sujeitos plenos das diversas comunidades em que se movem e como agentes do seu futuro e das sociedades em que desejam viver. Afinal, quem fala, de quem se fala, para quem se fala?
Quantas comunidades, quantas vivências, quantas subjetividades diversas se manifestam no Afro? Quais as suas vozes, próximas e diversas? Que mitos e que realidades? Que liberdades e que ocultações? Que restituições e que apropriações? Que prolongamentos coloniais na celebração de datas redondas? Que presente e futuro dos / para africanos/as e seus países? Que presente e futuro para afrodescendentes neste país?
“Afro-Quê?!” é uma convocatória artística, ética, social e política para um verdadeiro protagonismo negro no desenho múltiplo e diverso das linguagens, dos saberes, das estéticas e dos imaginários transformadores que podem levar a um mundo mais justo.
Data
16, Outubro 2026
Horário
18H00
Duração
1h00
Faixa etária
todos os públicos
Preço
entrada livre
Local Café Teatro TAGV
Com Orlando Piedade (escritor, S. Tomé e Príncipe), Aurora Ramos (historiadora, Cabo-Verde), Fabrice Schurmanns (escritor, Bélgica)
Moderação Catarina Martins
Curadoria Ciclo Afro-Portugal 2026 Catarina Martins, Carlos Tavares Pedro, Hamilton Francisco – Babu, Madalena Bindzi, Marinho Pina, Yara Nakahanda Monteiro
Coprodução Teatro Académico de Gil Vicente, A Escola da Noite, Cena Lusófona, Casa da Esquina
Parceria Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra, Fundação Calouste Gulbenkian, Universidade de Coimbra, Teatrão
Apoios Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, Colégio das Artes, CAPC-Bienal Anozero
16 outubro — 17H00 Abertura do Ciclo