desafiar os jovens criadores a mapear o presente com os olhos bem abertos. Olhar, refletir, incluir: não como etapas lineares, mas como um só movimento de relação e pertença
Na sua quarta edição, o Festival i5 é atravessado por uma profunda ética do olhar. Olhar o outro, refletir sobre ele, incluir a sua presença e a sua diferença — eis o triplo gesto que se pretende estrutural e desafiador.
Este “outro” que se pretende convocar não é o próximo imediato, mas a realidade ampla de um mundo em expansão — geográfica, cultural e emocional.
Um olhar movido pela curiosidade, pela crítica, mas também pela abertura. Que não se limita à superfície dos territórios ou dos povos: mergulha na essência daquilo que é diferente.
E é neste ponto que se revela algo essencial — ao incluirmos o outro, a sua diferença, também nos transformamos e passamos a habitar um mundo mais vasto, complexo e humano.
Refletir, neste contexto, é interrogar o que somos à luz do outro. É deslocar certezas, rever valores, questionar narrativas de poder e destino. Um olhar que atravessa fronteiras e que observa, e ao observar, pensa e ao pensar, integra. E integrar é também uma viagem interior, uma travessia da consciência e das relações.
É da reflexão que nasce a possibilidade de inclusão — não uma assimilação forçada, mas o reconhecimento da dignidade e da humanidade do outro. A identidade é uma substância relacional: somos à medida que vemos, pensamos e integramos. Ao incluir o outro, também nos incluímos; ao pertencermos, tornamo-nos pertença.
Incluir é aceitar a pluralidade. É construir um espaço de partilha e de escuta mútua. Uma epopeia mais profunda em que, ao encontrar o outro, nos reconfiguramos.
Vivemos rodeados de imagens rápidas, consumidas sem permanência. O mundo é frequentemente visto, mas raramente observado. Mistérios do Olhar propõe, por isso, uma contra navegação: olhar demoradamente, escutar o que está para além da superfície, identificar o que permanece à margem ou se perde no ruído. Auscultar o seu mistério.
O Mistério, o invisível, pode ser um corpo ignorado, uma história não contada, uma presença silenciosa. É aí que a criação artística se torna essencial — não como mera representação, mas como ferramenta de revelação, de cuidado, de escuta ativa.
Propomo-nos, através deste projeto, desafiar os jovens criadores a mapear o presente com os olhos bem abertos. Olhar, refletir, incluir: não como etapas lineares, mas como um só movimento de relação e pertença.
—José Vieira, Associação Videolab
Data
05 - 20, Maio 2026
Horário
13H00, 23H00
Duração
—
Faixa etária
todos os públicos
Preço
entrada livre
Local Café Teatro
Organização i5 — Festival de Vídeo Escolar Associação Videolab
Parceria Escola Secundária Avelar Brotero, Quinta das Flores, José Falcão, AE Eugénio de Castro, AE Coimbra Centro, AE Coimbra Sul, AE Coimbra Oeste
Apoio Casa da Esquina, Centro Cultural Penedo da Saudade, Teatro Académico de Gil Vicente
Exposição integrada i5 — Festival de Vídeo Escolar / Associação Videolab
Fotografia divulgação Madalena Reis
i5 — Festival de Vídeo Escolar no TAGV
Oficina de fotografia com João Duarte 4 maio 10h30
Mostra de vídeos Camões 500 (Parceria PNA / Universidade de Coimbra / TAGV) 20 maio — 10h30 / 14h30
Mostra de vídeos selecionados pelo Júri Seleção de Tiago Cerveira, Gonçalo Barros, Sérgio Gomes 20 maio — 21h30