Isto Não É Para Besta, É Para Gente!
Alguns dos problemas do tempo das Carquejeiras – século XIX e início do século XX – ainda são motivo para sairmos à rua com o punho cerrado. Outros, são só dissemelhantes. Numa era digital em que assistimos à capitalização dos corpos e à sua hipersexualização, é urgente refletirmos sobre as carquejeiras contemporâneas mas também preservar e enaltecer a memória invisibilizada dos “ouriços humanos” que subiam a antiga Calçada da Corticeira com o peso equivalente ao de 20 televisores ultra HD. Por entre repetições, gestos, respirações e do bater, a criadora partilha as suas inquietações como mulher, na luta por todas as que estão e as que desejavam estar.
MAgda (1996) estudou dança no Ginasiano e, mais tarde, foi bolseira da GDA, o que tornou possível licenciar-se na área da dança na ArtEZ University of the Arts (Holanda). Enquanto performer, destaca a colaboração com as artistas Ana Figueira, Joan Jonas e Joana Providência. Como criadora, os seus trabalhos mais recentes são Não Tenho Terra nos Sapatos (…), em colaboração com Miguel F, e Isto Não É Para Besta, É Para Gente!. É professora na Academia de Dança de Serzedo, CulturDança, Conservatório de Amarante, entre outros sítios.
O Quê?
Com grande inspiração na boca de Not I, de Samuel Beckett. O Quê? é um solo para pessoas melancólicas e tristes. Num tempo de individualismos extremos, onde ninguém se ouve, a incomunicabilidade, tão recorrente em ambientes do absurdo, parece fazer mais sentido do que nunca. Na vida, falhamos na escuta do outro. No palco surge a vontade de um encontro entre intérprete e público. Emissor e recetor. Ambos vão tentar comunicar e vão falhar. Em O Quê? um conta a história, um corpo frenético a vomitar o passado e o presente na expectativa que alguém o oiça.
Mariana Silva tem 26 anos e nasceu em Viseu. Fez o secundário no ensino articulado de dança na escola Lugar Presente, em 2018 ingressou na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, na variante Interpretação, que terminou em 2021. Também em 2021 ingressou na Escola Superior de Dança, no Mestrado de Criação Coreográfica e práticas profissionais, que terminou em 2023. O seu percurso passa pelas áreas de interpretação, criação e produção. Como intérprete e/ou criadora conta com as peças: Chama-lhe pelo nome (2018) Adelantarse (2022), Espera (2023), O Quê? (2023), Grito (2023), Natálias(s) (2024), Agora É Que O Porco Torce O Rabo (2024) e Tudo O Que Existe (2025); e como intérprete: JOY Práticas Coletivas do Prazer (2022/2023) de Alice Joana Gonçalves, Os Navegantes da companhia Dançando com a Diferença (2023), O Mal de Ortov (2023) do Teatro do Calafrio com a encenação de Florbela Sá Cunha e Perdição (2025) também com a encenação de Florbela Sá Cunha. É também formadora dentro das áreas de interpretação (teatro e dança), voz e coreografia.
Partindo de um interesse comum pela dança contemporânea e reconhecendo o lugar central que a dança ocupa na renovação da linguagem das artes performativas nas últimas décadas, a Câmara Municipal de Coimbra / Convento São Francisco e a Universidade de Coimbra / Teatro Académico de Gil Vicente promovem a organização conjunta de Abril Dança Coimbra, uma iniciativa que tem em 2016 a sua primeira edição e que a prazo se propõe envolver a cidade, mobilizando vários espaços, parcerias, formas de expressão e assumindo uma dimensão nacional de referência.
Data
14, Abril 2026
Horário
21H30
Duração
20 min. + 10 min.
Faixa etária
M12
Preço
€7
€5
< de 25 anos, estudante, comunidade uc, rede alumni uc, > 65 anos, grupo ≥ 10, desempregado, profissional do espetáculo, pessoa com necessidades específicas, parcerias TAGV
Os bilhetes com desconto são pessoais e intransmissíveis e obrigam à identificação na entrada quando solicitada. Os descontos não são acumuláveis
Local TAGV
Isto Não É Para Besta, É Para Gente!
Criação e interpretação MAgda
Composição musical e apoio à criação Miguel F
Desenho de luz Francisco Campos
Design de som João Coutada
Figurinos Magda, Margarida Magalhães
Apoio à investigação Arminda Santos
Apoio às residências artísticas Instável – Centro Coreográfico, Sekoia Artes Performativas, deVIR/CAPa
Coprodução Instável – Centro Coreográfico, Teatro Municipal do Porto
Apoio Fundação GDA
O Quê?
Criação Mariana Silva
Interpretação Pedro de Aires
Design de Luz Sara Nogueira
Estes espetáculos são apresentados no Festival Abril Dança Coimbra, no âmbito da extensão Warm Up, uma iniciativa do Teatro Viriato, em parceria com o TAGV
Organização Festival Abril Dança Coimbra Teatro Académico de Gil Vicente, Câmara Municipal de Coimbra/Convento São Francisco