este recital performativo assinala, dando voz aos seus poemas, o centenário do desaparecimento de Camilo Pessanha, natural de Coimbra, expoente máximo do simbolismo em Portugal. Nele, alia a arte de dizer ao movimento: a palavra é senhora e o movimento e a música ajudam a criar o ambiente que serve a palavra
Partindo de uma leitura dialogante da poesia de Camilo Pessanha e da sua circunstância à luz da nossa contemporaneidade, este recital performativo apresenta-nos um Pessanha permanentemente em viagem. Não a viagem física, real, entre Portugal e Macau, lugar de exílio, mesmo que exílio em parte voluntário, mas a viagem em busca da sua identidade e do sentido da vida – “Que eu, desde a partida, não sei onde vou. Pessanha perdido de si mesmo, desintegrado – “Miragens do nada/Dizei-me quem sou …”
Pessanha que revive um Portugal da sua infância que já só é memória – “Imagens que passais pela retina/dos meus olhos, porque não vos fixais?”. Pessanha que, embora seduzido pela língua cantonense, pela literatura e arte chinesa é sempre um estrangeiro. No fundo, Pessanha estrangeiro em terra sua e em terra alheia. (cf Carlos Ascenso André, Contradições do sentimento de ausência em Camilo Pessanha). Pessanha sofrido. As dores do exílio, do desamor, da solidão, do olvido, da ausência pulsam nos seus versos ritmados como música e é por isso que a sua poesia “deve ser ouvida, muito mais do que ser lida”. E na sua musicalidade, neste nosso recital, corpos em movimento acompanharão os acordes da palavra.
Data
28, Outubro 2026
Horário
21H30
Duração
1h00
Faixa etária
M12
Preço
€7
€5
< de 25 anos, estudante, comunidade uc, rede alumni uc, > 65 anos, grupo ≥ 10, desempregado, profissional do espetáculo, pessoa com necessidades específicas, parcerias TAGV, amigo/a Bonifrates
Os bilhetes com desconto são pessoais e intransmissíveis e obrigam à identificação na entrada quando solicitada. Os descontos não são acumuláveis
Local auditório TAGV
Coordenação, seleção de poemas e guião Ana Paula Santos
Interpretação Ana Filipa Paz, António Gamboa, Francisco Paz, José Castela, Maria Manuel Almeida, Susana Faria
Apoio ao movimento Noeli Kikuchi
Luz Nuno Patinho
Apoio à prosódia musical Jonatas Manzolli
Efeitos sonoros Amílcar Cardoso
Design de media Guilherme Almeida
Design gráfico Beatriz Portugal
Terceira produção da Bonifrates em 2026 este é o segundo recital do Ciclo De poemas se fingem poetas, em coprodução com Teatro Académico de Gil Vicente. Este recital tem ainda a parceria da Biblioteca Municipal de Coimbra e Museu Nacional Machado de Castro