Que Farei Eu Com Esta Espada? é, como o título indica, um filme de interrogações, profundas e sem resposta directa, um filme que não tem necessariamente nenhuma “certeza revolucionária” a propor. Pelo contrário, é um filme obscuro e que obscurece
Quem Espera Por Sapatos De Defunto Morre Descalço é o exemplo do cinema que não se podia ver em Portugal antes de 25 de abril de 1974 e que sofreu a imposição de cortes censórios que lhe impediram que estreasse, foi felizmente entendido por alguns na época como o grande filme que é.
+
Que Farei Eu Com Esta Espada? insere-se, com alguma tipicidade, na corrente do cinema português que lidou com o “aftermath” do 25 de Abril de 1974. Tipicidade, dissemos? Sim: no modo de produção, rápido, próximo da “rua”, no “formato revolucionário” do 16mm, artesanal, concebido em forma de interpelação documental. Tipicidade, ainda, no esboço de um projecto que sem deixar de querer estar em cima dos acontecimentos – e de, portanto, reflectir a “actualidade” – procura ainda mais encontrar uma distância que propicie a análise e que, de certa maneira, o “esvazie” do seu tempo.
Muitos filmes deste período se jogaram segundo estas coordenadas, uns com mais sucesso outros com menos. Mas a partir daí a palavra “tipicidade” deixa de fazer sentido. Primeiro, por causa dos elementos que João César Monteiro convoca (e que passam pela “chamada” do Nosferatu de Murnau) e da relação que o filme articula entre eles. Depois, porque Que Farei Eu Com Esta Espada? é, como o título indica, um filme de interrogações, profundas e sem resposta directa, um filme que não tem necessariamente nenhuma “certeza revolucionária” a propor. Pelo contrário, é um filme obscuro e que obscurece. — Luis Miguel Oliveira
João César Monteiro nasce a 2 de fevereiro de 1939 e morre a 3 de fevereiro de 2003. Em 1963, com 15 anos, recebe uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para estudar cinema na London Film School. Dois anos depois regressa a Portugal para realizar o seu primeiro filme, Quem Espera por Sapatos de Defunto Morre Descalço (1971). Atualmente, o seu trabalho como realizador tem sido objeto de estudo para portugueses e estrangeiros, críticos e académicos, que o reconhecem como um dos mais importantes realizadores portugueses juntamente com Manoel de Oliveira. Várias das suas obras são representadas e premiadas em festivais internacionais como o Festival de Cannes e o Festival de Veneza: Silvestre (1981) foi apresentado no Festival de Veneza, festival onde regressa com Recordações da Casa Amarela (1989) e ganha o Leão de Prata. Novamente em Veneza com A Comédia de Deus (1995) recebe o Grande Prémio Especial do Júri.
Data
20, Janeiro 2026
Horário
18H30
Duração
34' + 1h05
Faixa etária
M16
Preço
€6
€4
< de 25 anos, estudante, comunidade uc, rede alumni uc, > 65 anos, grupo ≥ 10, desempregado, profissional do espetáculo, parcerias TAGV
3 Filmes + 1 Presente: Na compra de 3 bilhetes para 3 filmes à escolha, o 4.º bilhete para uma nova sessão é oferta *a campanha é válida na compra de 3 bilhetes para as sessões de cinema em janeiro de 2026. A campanha 3 Filmes + 1 Presente só está disponível na Bilheteira Presencial TAGV
Os bilhetes com desconto são pessoais e intransmissíveis e obrigam à identificação na entrada quando solicitada. Os descontos não são acumuláveis
Bilheteira / atendimento presencial
segunda a sexta-feira 17h00 — 20h00
em dias de eventos 1 hora antes / até meia hora depois
encerrada aos sábados, domingos e feriados
Local TAGV
Quem Espera Por Sapatos De Defunto Morre Descalço
Origem Portugal, 1970
Que Farei Eu Com Esta Espada?
Origem Portugal, 1975
Ciclo Viva João César Monteiro – Medeia Filmes
Cópias digitais restauradas